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Quem manda no galinheiro?

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Eu tenho a sorte de viajar muito e conhecer muitos gestores de voluntariado de todas as esferas da vida no processo. 

Tal como maior parte dos treinadores de gestão de voluntariado, eu apercebi-me que há um número de temas recorrentes que aparecem nas questões que me colocam. As mais óbvias relacionam-se com o recrutamento de voluntários e motivação, algo que não é surpreendente, mas além destes temas, também me colocam muitas questões relacionadas com coisas que incluem:

  • Como é que eu ultrapasso os “grupinhos” (grupos fechados que hesitam muito em deixar alguém se juntar) e as culturas disfuncionais de voluntariado?
  • Como é que eu defino fronteiras de forma clara para a minha equipa?
  • Posso “despedir” ou disciplinar um membro de uma equipa de voluntariado?
  • Como é que eu faço mudanças ou introduzo novas políticas sem ofender ninguém?
  • Como é que eu posso fazer com que voluntários com vasta experiência venham ao treino, que sejam mais cooperativos ou então que sigam em frente?
  • E a lista continua…

Não são as perguntas em si que constituem o problema, elas abordam de forma honesta e razoável problemas que precisamos de combater de tempo em tempo e é preciso que alguém as pergunte. 

O problema para mim é em 90% destes casos a questão está a ser colocada a partir de uma posição à qual eu me atrevo de chamar de “fraqueza”. Isto é, muito frequentemente, eu acredito que os gestores de voluntariado se sentem impotentes nas suas posições quando chega a altura de fazer alguma mudança para beneficiar o programa, eles são quase sempre apologéticos na abordagem que adotam.  

Bem, eu estou a desviar-me um pouco do assunto, mas aqui está o ponto de vista que quero explicar. 

Eu acredito que demasiadas agências têm um equilíbrio errado e esqueceram-se de alguns dos princípios fundamentais sobre os papéis que os voluntários devem assumir nas nossas organizações – e eu desafio-o(a) a considerar se é altura de repensar como o papel deles funciona na sua situação. 

Os voluntários são importantes para o sucesso de qualquer agência que os envolva. Para que fique claro, eu sou um enorme fã da diferença que voluntários bem liderados podem fazer. Mas eu pergunto esta questão a cada pessoa que lê sobre este Tópico Muito Falado: porque é que a tua agência envolve voluntários? 

Claro que há uma panóplia de razões que podemos citar, desde “poupar dinheiro” a “trazer a comunidade para a nossa organização”. Mas o que é que está mesmo no fundo da sua envolvência com os voluntários? Em última instância, ela deveria ajudar a conseguir atingir os objetivos e a missão da sua agência (seja ela qual for). Para salvar uma floresta, para resgatar Pandas; seja para melhorar o estado da sua escola local; mitigar a pobreza; ou matar sapos cururu!  

Quando nós entendermos bem isto poderemos começar a compreender que é a organização e o seu propósito que devem conduzir tudo o que se passa dentro da agência, e no que toca a envolver os voluntários, duas coisas são claras:

  • O envolvimento dos voluntários serve, em primeiro lugar, para ajudar as organizações a conseguirem a missão da agência e
  • Só através das nossas organizações é que podemos oferecer aos voluntários a oportunidade de contribuir para a mudança pela qual eles se dedicam tanto

Agora não estou de forma alguma a sugerir que os voluntários são, de alguma forma, uma consideração secundária. De facto, é o staff sénior das nossas agências, na maior parte das vezes, que precisa de compreender que o facto de os voluntários possuírem os recursos adequados e de serem bem liderados constitui uma parte fundamental para a organização conseguir atingir a sua missão em primeiro lugar. Mas no final de contas, há um ponto fundamental que precisa de ser feito.

A organização e a sua missão são, em última instância, maiores que qualquer um dos seus indivíduos.

Se acreditarmos nisto, então certamente esta realidade poderá orientar as nossas políticas, práticas, direção e a forma como lideramos os nossos voluntários. 

Então porque é que há tantas agências onde o gestor de voluntariado parece gastar todo o seu tempo a tentar apaziguar voluntários que não têm vontade de ajudar? 

A disfunção começa quando nós permitimos que o nosso foco mude do que pretendemos alcançar. 

  • Se o treino é requerido e necessário, garanta que os seus voluntários percebam a razão pela qual é assim, e seja claro em relação às suas expectativas em relação a eles.
  • Se os voluntários não conseguirem corresponder às expectativas que definiu (assumindo que elas são justas e razoáveis), então eles precisam de saber quais serão as consequências.
  • Se “grupinhos” existirem e as novas pessoas que entram não se sintam confortáveis, acabe com os “grupinhos”.

Agora já consigo ouvir os vossos pensamentos sobre voluntários disfuncionais a ficarem zangados, a abandonarem a organização ou até a serem muito vocais sobre todo essa questão. Essas são realmente preocupações que requerem a sua atenção, mas será que vale mesmo a pena manter essas poucas pessoas que estão a prejudicar o seu programa se isso significar que não consegue manter os novos membros?

Novamente, deixem-me clarificar que não estou aqui a defender que devemos tratar mal os nossos voluntários, o nosso objetivo deve sempre ser liderar os voluntários de uma forma que os faça sentir bem preparados, orgulhosos do seu trabalho e que se sintam como verdadeiros contribuintes para a agência.

O que eu estou a sugerir, e isto e importante, é que como gestores de voluntariado profissionais, nós não precisamos de ser apologéticos quando fazemos o nosso trabalho ao insistir que os nossos voluntários sigam as diretrizes que nós definimos para eles!!!

Se nós vamos ser líderes de voluntários, então precisamos de dar o exemplo para os outros no lugar de andar às voltas a tentar apagar fogos. Por mais que os indícios sugiram que os futuros voluntários esperam uma liderança forte, é a altura ideal para começarmos a retificar isto em muitas das nossas agências.